De perto e de longe: a política de uma autoantropologia Kaiowá

Palavras-chave: autoantropologia, política, Kaiowá

Resumo

Variando o tom entre ensaio e resenha crítica, este artigo analisará o trabalho de Izaque João, um acadêmico indígena Kaiowá que defendeu seu mestrado em História, na Universidade Federal da Grande Dourados, com a dissertação “Jakaira Reko Nheypyrũ Maragatu Mborahéi: origem e fundamentos do canto ritual Jerosy Puku entre os Kaiowá de Panambi, Panambizinho e Sucuri’y, Mato Grosso do Sul”. Estaremos atentos à metodologia empregada e aos modos de enunciação para explorar as variações discursivas da posição do autor em campo – às vezes perto, às vezes longe de sua comunidade –, em uma tentativa de delinear os limites de uma autoantropologia e o potencial político que ela carrega.

 

Biografia do Autor

Bruno Martins Morais, Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR; Centro de Trabalho Indigenista - CTI

Doutorando em Direito Socioambiental e Sustentabilidade pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Mestre em Antropologia Social e graduado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP). Sua dissertação de mestrado, intitulada “Do corpo ao pó: crônicas da territorialidade Kaiowá nas adjacências da Morte”, foi publicada pela Editora Elefante, com o apoio da ANPOCS.

Referências

ALMEIDA, Mauro William Barbosa de. “Ética e Antropologia”, conferência ministrada a convite do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo, 2013.

CADOGAN, Leon. Ayvy rapyta: texto místico de los Mbyá-Guarani del Guaiá. Asunción: Fundación Leon Cadogan/CEADUC/CEPAG, 1992.

CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto. “Práticas interétnicas e moralidade: porum Indigenismo (auto)crítico”. In: Roberto Cardoso de Oliveira e Luís Roberto Cardoso de Oliveira, Ensaios Antropológicossobre Moral e Ética. Rio de Janeiro: Tempo Universitario, 1996.

CHAMORRO, Graciela. Yvy raguyje: fundamento da palavra guarani. Dourados, MS: Editora UFGD, 2008.

CHAMORRO, Graciela. Kurusu ñe’ëngatu: palabras que la historia no podría olvidar. Asunción: Universidad Católica Nuestra Señora de La Asunción, 1995.

DECLARAÇÃO DE BARBADOS. Disponível online em: https://www.missiologia.org.br/wp-content/uploads/cms_documentos_pdf_28.pdf, último acesso em 03 de abril de 2020.

FAHIM, Hussein; HELMER, Katherine. Indigenous Anthropology. In: Non-Western Countries: A Further Elaboration [and Comments]. Current Anthropology, Vol. 21, N° 5, pp. 644-663, 1980.

JOÃO, Izaque. Jakaira Reko Nheypyrũ Marangatu Mborahéi: origem e fundamentos do canto ritual Jerosy Puku entre os Kaiowá de Panambi, Panambizinho e Suciri’y, Mato Grosso do Sul. 2011. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Dourados, MS, 2011.

LEITE, Ilka Boaventura (Org). Laudos periciais antropológicos em debate. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Antropologia, 2005.

MELIÀ, Bartomeu; GRÜNBERG, Georg; GRÜNBERG, Friedl P. Etnografía guaraní del Paraguay contemporáneo: los Pai-Tavyterã. Suplemento Antropológico, Asunción, v. 11, n. 1-2, p. 151-295, 1976.

MURA, Fabio. A procura do “bom viver”: território, tradição de conhecimento e ecologia doméstica entre os Kaiowá. 2006. Tese (Doutorado em Antropologia) − Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.

NARAYAN, Kirin. How native is a native? America Anthropologist, v. 95, n. 3, p. 671- 86, 1993.

NIMUENDAJU, Curt. As kebdas da criação e destruição do mundo como fundamento da religião dos Apapocúva Guarani. São Paulo: HUCITEC/USP, 1987.

PEREIRA, Levi Marques. Imagem Kaiowá do sistema social e seu entorno. 2004. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.

SCHADEN, Egon. Aspectos fundamentais da cultura guarani. São Paulo: EPU/EDUSP, 1963.

STRATHERN, Marilyn. The limits of auto-anthropology. In: JACKSON, Anthony. (Org.). Anthropology at home. London: Tavistock, 1987.

TEMPASS, Martim César. Orerembiú: a relação das práticas alimentares e seus significados com a identidade étnica e a cosmologia Mbyá Guarani. 2008. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.

VIETTA, Katya. Territorialidade e organização social na perspectiva dos kaiowá de Panambizinho (Dourados-MS) após 170 anos de exploração e povoamentos não indígenas na fronteira entre o Brasil e Paraguai. 2007. Tese (Doutorado em Antropologia) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. O nativo relativo. Mana, Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, p. 113-48, abr. 2002.

Publicado
2019-11-18