A diáspora Guaná (Terena) no pós-guerra da tríplice aliança e os reflexos em seus territórios no estado de Mato Grosso do Sul

  • Lindomar Lili Sebastião Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Palavras-chave: pós-guerra, território, violência.

Resumo

O presente trabalho propõe-se a apresentar um estudo realizado entre o povo indígena Terena de tronco linguístico Aruak, subgrupo Guaná. Esse povo habita, em sua grande maioria, o Estado de Mato Grosso do Sul, com aproximadamente vinte e três mil habitantes. Falantes, em sua maioria, da língua de origem, atualmente lutam pela demarcação e homologação de seus territórios tradicionais dos quais foram expulsos e confinados em pequenas reservas criadas pelo governo, em atuação conjunta com o SPI- Serviço de Proteção ao Índio, em tempos do pós-guerra da Tríplice Aliança. Para tanto, buscamos na memória de nossos velhos, os anciões, as informações para este estudo, usando a história oral e os trabalhos escritos por pesquisadores nas áreas de antropologia, história e arqueologia, a fim de compreender o processo de expropriação de seus territórios até os dias atuais. Dessa forma, pontuaremos as suas reais consequências, os reflexos nos seus éthos, na sua reprodução física e cultural, bem como a violência sofrida atualmente.

 

Biografia do Autor

Lindomar Lili Sebastião, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Graduada em História pela UCDB ( 2005); mestra em Ciências Sociais/Antropologia pela PUCSP( 2012) e doutoranda em Antropologia pela PUCSP ( 2014-2018)

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Publicado
2016-07-11