Corpos que bebem, dançam e trabalham juntos: entre os ritmos da festa e do trabalho coletivo nos Andes peruanos

Palavras-chave: festa, trabalho coletivo, Andes peruanos, compartilhar.

Resumo

Em Andamarca, uma comunidad camponesa dos Andes peruanos, as festas e o trabalho coletivo consistem em momentos de grande importância, propícios para compartilhar comidas, bebidas e esforços. O trabalho coletivo é empregado na construção de casas de adobe, limpeza e construção de canais de irrigação, caminhos e estradas. Para os andamarquinos, a realização de atividades em equipes cria uma dinâmica capaz de proporcionar uma espécie de competição positiva, além da manutenção e geração de vínculos enquanto todos estão determinados a alcançar um objetivo comum. A divisão em grupos gera ánimo, isto é, a força e a disposição necessárias para realizar atividades consideradas duras e pesadas. Para que tal força não se acabe, durante o trabalho é feita uma distribuição de substâncias que também produzem ánimo como bebidas alcoólicas e folhas de coca. O mesmo sucede nas festas, momentos em que a distribuição e o consumo de bebidas alcoólicas são fundamentais para fazer os participantes dançar, para gerar alegria e vontade de gozar, enfim, para criar uma determinada atmosfera ou ambiente característico dos momentos de celebração. Com base numa pesquisa etnográfica, este texto propõe uma breve comparação entre as festas e o trabalho coletivo, mostrando aproximações e diferenças entre esses dois movimentos, tendo em vista que o compartilhamento de esforços e de substâncias são meios fundamentais para alcançar a constituição de coletivos em ambos os momentos. Ademais, os dois movimentos implicam transformações de ordem corporal e subjetiva a ponto de moldarem não só o corpo mas também a pessoa andamarquina.

Biografia do Autor

Indira Viana Caballero, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Roraima
Graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestrado e doutorado em Antropologia Social pelo Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora Visitante no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Roraima.

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Publicado
2018-04-10