Kaimen. O bem-viver Wapichana

Palavras-chave: índios sul-americanos, Wapichana, bem viver, kaimen, mandioca.

Resumo

O termo bem viver se tornou um conceito nativo dos ameríndios para mostrar a sua cosmovisão diferenciada do Ocidente. Aqui o autor acrescenta, a partir de sua etnografia com os Wapichana, mais uma categoria nativa, kaimen. Os Wapichana que vivem em Roraima (Brasil) e na Guyana encontraram na palavra kaimen um modo de expressar sua cosmologia. As relações sociocosmológicas Wapichana passam pelo trabalho, comida, desenhos em altos-relevos esculpidos nas rochas, rituais e falas nativas.  Nesse contexto, a roça de mandioca, associada aos seus usos e costumes tradicionais, é uma metáfora para lidar com as fronteiras criadas entre os dois países e que dividiram os Wapichana. Por isso, afirmam que ultrapassar as fronteiras impostas pelos países é kaimen.

Biografia do Autor

Aloir Pacini, UFMT - Universidade Federal do Mato Grosso
Doutor em Antropologia e professor do Departamento de Antropologia e PPGAS UFMT. Universidade Federal do Mato Grosso

Referências

BRISSAC, Sérgio Góes Telles. Mesa de flores, missa de flores: os mazatecos e o catolicismo no México contemporâneo. 2008. Tese (Doutorado em Antropologia Social) - PPGAS MN, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, 2008.

DAVID, Beryl et al. WaWiizi, WaKaduzu – Our Territory, Our Custom. Customary use of biological resources and related traditional practices within Wapichan Territory in Guyana: an indigenous case study. Forest Peopled Programme, abril de 2006. Disponível em: http://www.forestpeoples.org/sites/default/files/publication/2010/08/guyana10capr06eng.pdf

DESCOLA, Philippe. Além de natureza e cultura. Tessituras: Revista de Antropologia e Arqueologia, Pelotas, RS, v. 3, n. 1, p. 7-33, jan./jun. 2015.

DESCOLA, Philippe. Estrutura ou sentimento: a relação com o animal na Amazônia. Mana, Rio de Janeiro, v. 4, n. 1, p. 23-45, abr. 1998.

FORTES, Janette; MELVILLE, Ian. Amerindian testimonies. 2. ed. Boise: Georgetown, 1989.

GOW, Peter. O parentesco como consciência humana: o caso dos Piro. Mana, Rio de Janeiro, v. 3, n. 2, p. 39-65, out. 1997.

KOCH-GRÜNBERG, Theodor. Vom Roraima zum Orinoco. [Do Roraima ao Orinoco. Resultados de uma viagem no Norte do Brasil e na Venezuela nos anos 1911-1913. 5 Bände. Strecker und Schröder, Stuttgart 1916-1928]. Vol. 1 Observações de uma viagem pelo norte do Brasil e pela Venezuela durante os anos de 1911 a 1913. São Paulo: Ed. Unesp, 2006.

LATOUR, Bruno. Seis cartas sobre as humanidades científicas. 1a. ed. São Paulo: Ed. 34, 2016.

LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos. Rio de Janeiro: Editora 34, 2005.

OLIVEIRA, Alessandro R. Tempos dos netos. Abundância e escassez nas redes de discursos ecológicos entre os Wapichana na fronteira Brasil-Guiana. 2012. 340p. Tese (Doutorado em Antropologia Social) - Universidade de Brasília (UnB), Brasília, 2012.

ONU. Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Povos Indígenas no Brasil. 2007. Disponível em: https://pib.socioambiental.org/files/file/PIB_institucional/DECLARACAO_DAS_NACOES_UNIDAS_SOBRE_OS_DIREITOS_DOS_POVOS_INDiGENAS.pdf

PEREIRA, Adalberto Holanda. Pesquisas Antropologia: O pensamento mítico do Paresi, n. 42. Primeira Parte. São Leopoldo, RS: Instituto Anchietano de Pesquisas/Unisinos, 1987.

PEREIRA, Adalberto Holanda. Pesquisas Antropologia: O pensamento mítico do Paresi, n. 41. Primeira Parte. São Leopoldo, RS: Instituto Anchietano de Pesquisas/Unisinos, 1986.

PEREIRA, Adalberto Holanda. Pesquisas Antropologia: O pensamento mítico do Paresi, n. 36. Primeira Parte. São Leopoldo, RS: Instituto Anchietano de Pesquisas/Unisinos, 1983.

SILVA, Verone Cristina da. Carnaval: alegria dos imortais. Ritual, pessoa e cosmologia entre os Chiquitano no Brasil. 2015. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, 2015.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Perspectivismo e multinaturalismo na América indígena. O que nos faz pensar: Cadernos de Filosofia da PUC-Rio, Rio de Janeiro, v. 14, n. 18, p. 225-54, set. 2004. Disponível em: http://www.oquenosfazpensar.fil.puc-rio.br/index.php/oqnfp/article/view/197

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Os pronomes cosmológicos e o perspectivismo ameríndio. Mana, Rio de Janeiro, v. 2, n. 2, p. 115-44, out. 1996. doi: http://dx.doi.org/10.1590/S0104-93131996000200005

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. O mármore e a murta: sobre a inconstância da alma selvagem. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 35, p. 21-74, 1992.

WAPISHANA Lectionary. Kaaritaaita´azoo-kaoTominkaru Paradandi´ikió. Wycliffe Bible Translators (Fundedby Jesuit Mission), 2013.

Publicado
2019-04-15
Seção
Dossiê 1: História Indígena, Etno-história e Indígenas Historiadoras/es: experiências descolonizantes, novas abordagens