Tembiasakue Rapê: a longa estrada Guarani na história e na memória- reconstruindo o passado, ressignificando o presente e trilhando o futuro.

Palavras-chave: Guarani, Memória/História, Cosmologia.

Resumo

Ao longo dos séculos o Guarani foi visto como objeto de estudo e do direito, sendo-lhe negada a característica de agente de sua própria memória/história/narrativa, como protagonista dinâmico, ativo e consequentemente sem espaço para manifestar-se, era o indígena domesticado sobressaindo à imagem genérica construída pelo senso comum ao longo da trágica história que todos já conhecem. Entretanto, assim como os demais seres humanos que habitam a imensidão do planeta terra, enquanto indígenas temos o passado bem vivo na nossa memória e na a capacidade de reconstituir o nosso passado; nosso futuro depende muito da habilidade de compreender e tirar boas lições do que nos aconteceu em outrora. O passado é relembrado por meio das narrativas na fala dos tujá’i (velhinhos), contadores de história Guarani. Conhecimento que é transmitido nas conversas na opy(casa ritual), na beira do fogo quando dos acampamentos de pescaria, caçadas ou ainda nos momentos em que seus olhos e alma parecem voltar no tempo e as narrativas fluem como as águas de um igarapé, adentrando a noite. Para que nosso modo de vida percorra outros modos de narrar o passado e o presente, busca-se a qualificação nos meios acadêmicos, uma abrangência maior de conhecimento enquanto sociedade Guarani e as interações com a sociedade não indígena, engendrando novos conceitos, experiências interpretativas sobre o outro e o que foi dito sobre nós de forma autoritária e violento. É uma tentativa de compreender, traduzir e a posteriori interpretar, para conhecerem-se melhor ambas as sociedades e ampliar os horizontes de conhecimentos e possibilidades, sabendo de antemão que essas aproximações humanas não são tão tranquilas quanto parecem ser. Ser mediador dessa realidade não é nada fácil, ou seja, é um grande desafio.

Biografia do Autor

Rosalvo Ivarra Ortiz, UFGD
Possui graduação em Licenciatura plena em Ciências Sociais pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Federal da Grande Dourados- FCH/UFGD. Atualmente é acadêmico do Mestrado em Antropologia Sociocultural pela mesma instituição de ensino. Realiza investigação científica e epistemológica na Linha de Pesquisa intitulada: "Arqueologia, Etno-história e Patrimônio Cultural", vinculado ao Laboratório de Arqueologia- ETNOLAB/UFGD, sob a coordenação do Profº. Drº. Rodrigo Luiz Simas de Aguiar. É colaborador do espaço virtual METACURADORIA e PUBLIC ANTHROPOLOGY vinculado ao Departamento de Antropologia e Museologia da Universidade Federal de Pernambuco- UFPE, sob a coordenação do Profº. Drº. Antônio Carlos Mota de Lima. É membro do grupo de pesquisa GIPEDAS - "Grupo Iberoamericano para Pesquisa e Difusão da Antropologia Sócio-Cultural" vinculado à Universidad de Salamanca- Espanha (USAL), sob a coordenação do Profº. Drº. Ángel Baldomero- Espina Barrio. O seu grande interesse está em torno da Antropologia da Arte, a partir de estudos e pesquisa empreendida acerca das artes, artefatos, objetos e Fala Sagrada dos grupos concernente ao Tronco Linguístico Guarani de Mato Grosso do Sul e Região Amazônica. Portanto, a grande área que o pesquisador tem interesse em atuar são as seguintes: Arqueologia, Antropologia, História- voltada para cultura material e cultura imaterial. 
Almires Martins Machado, Membro do Núcleo Jurídico do Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual (INBRAPI).
Doutor em Antropologia e Mestre em Direitos Humanos pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Graduado em Direito pelo Centro Universitário da Grande Dourados (UNIGRAN). Membro do Núcleo Jurídico do Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual (INBRAPI). Pertencente à etnia Guarani e Terena.

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Publicado
2018-12-21
Seção
Escritos Indígenas