Povos indígenas e as relações culturais, econômicas e políticas: reflexões sobre a interculturalidade crítica e a decolonialidade

Palavras-chave: interculturalidade crítica, decolonialidade, povos indígenas, diversidade, comércio

Resumo

Este artigo tem como objetivo problematizar e comparar interpretações e relatos voltados à interculturalidade crítica, decolonialidade e ecologia de saberes, os quais articulam elementos culturais, epistêmicos, materiais e simbólicos ligados ao papel das mudanças culturais e econômicas dos povos indígenas brasileiros, de diversas etnias, diante dos vários segmentos da sociedade nacional. Lançamos mão de olhares antropológicos, de abordagem hermenêutica, utilizando como opção política e metodológica a pedagogia decolonial, as reflexões próprias, estabelecendo debates significativos para identificar ideias e posturas (também políticas) sobre as imposições do Ocidente ante os povos indígenas. A proposta aqui estabelecida pretende reunir questões vinculadas aos sistemas políticos e comerciais das várias comunidades indígenas e os embates epistemológicos que constituem esses cenários, bem como analisar, em torno da interculturalidade, as mudanças históricas ocasionadas pelos vários segmentos da sociedade nacional.

Biografia do Autor

Matheus Moreira da Silva, Universidade Federal de Goiás (UFG)

Doutorando e mestre em Educação em Ciências e Matemática pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Graduado em Licenciatura em Matemática pelo Instituto de Matemática e Estatística (IME) da UFG. Colaborador no Programa de Educação Tutorial da Licenciatura Intercultural (PETLI/UFG) e no curso de Educação Intercultural do Núcleo Takinahaky de Formação Superior Indígena (UFG). Tem experiência na área de Matemática, com ênfase em Educação Matemática, atuando principalmente nos seguintes temas: Etnomatemática, Didática, Prática de Ensino, Formação de Professores, Diversidade Cultural, Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Indígena.

José Pedro Machado Ribeiro, Universidade Federal de Goiás (UFG)

Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Matemática pela Universidade de Brasília (UnB). Bacharel em Matemática pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Professor do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da UFG. Coordenador do Laboratório de Educação Matemática do IME/UFG. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Etnomatemática, atuando principalmente nos seguintes temas: Etnomatemática, Educação Matemática, História da Matemática, Educação Escolar Indígena, Formação de Professores, Diversidade Cultural, Matemática − aspectos sociais e dinâmica intra e intercultural.

 

Elias Nazareno, Universidade Federal de Goiás (UFG)

Pós-doutor em Sociologia com bolsa do CNPq pela Universidade de Barcelona (UB). Doutor em Sociologia pela UB. Mestre em História pela Universidade de Brasília (UnB). Graduado em História pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás). Pesquisador associado sênior vinculado ao Laboratório e Grupo de Estudos em Relações Interétnicas (LAGERI) do Departamento de Antropologia da UnB. Professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Goiás.

 

 

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Publicado
2021-04-26