Sustentabilidade nas sociedades indígenas brasileiras

  • Gilberto Azanha

Resumo

O presente texto busca contribuir para a ampliação do debate sobre o processo de construção da sustentabilidade entre as sociedades indígenas no Brasil. Trata-se de um estudo com base em longa experiência de campo e convivência com populações indígenas e o desafio enfrentado por elas ante os projetos governamentais de intervenção. Inicialmente procura aprofundar o sentido do conceito “sustentabilidade” a partir do ponto de vista dos próprios indígenas, destacando a grande diferença entre os sistemas de trocas das sociedades capitalistas ocidentais e as sociedades indígenas: para as primeiras, o móvel em si é o que importa, tem a primazia na relação; para estas, ao contrário, o móvel é apenas um pretexto e o que importa é o outro. No sistema de trocas capitalista, o móvel é uma“mercadoria”, algo com vida própria, independentemente da relação de troca entre sujeitos. Mas há ainda um outro lado da sustentabilidade para as sociedades indígenas e que diz respeito ao horizonte do que é, ou pode ser, sustentável em termos estritamente sociológicos e não somente ecológicos.A questão de fundo que se coloca, nesse caso, seria a de como incorporar o ponto de vista indígena sobre o sustentável em projetos ou políticas públicas.Constata-se, por outro lado, que na interação entre as sociedades indígenas e a economia regional o que tem prevalecido é a unilateralidade da relação com o mercado: é este que impõe às sociedades indígenas o quê transacionar. Na segunda parte o texto trata dos equívocos dos projetos governamentais, questionando se o que é bom para nós é para bom para os indígenas. Na parte final do texto, em forma de “Apêndice”, apresentase a experiência do autor e do CTI – Centro de Trabalho Indigenista, entre os Terena de Cachoeirinha e de Miranda.
Publicado
2014-11-20