Xamanismo e resistência Guarani e Kaiowá: história e cosmopolítica em Laranjeira Ñanderú

  • Gabriela Barbosa Lima e Santos Zotti Universidade Federal de São Carlos
  • Graziele Acçolini Universidade Federal da Grande Dourados
Palavras-chave: etnologia indígena, Guarani e Kaiowá, retomadas, cosmopolítica, mitopráxis.

Resumo

Em um contexto de luta por terras tradicionais, os povos Kaiowá e Guarani fazem da “retomada” um ato político e cosmológico. Após o esbulho territorial ao qual foram submetidos, eles se veem obrigados a repensar seu território, e fazem de maneira muito específica: englobando o karaí (não indígena) em seu tempo mítico. Do mesmo modo, a “retomada” pode ser considerada um ato mitoprático, restabelecendo uma dimensão (cosmo) política, em pleno ato de mobilização indígena. É nessa perspectiva que se propõe compreender a forma com que os Kaiowá do Tekoha Laranjeira Ñanderú contam e fazem história como respostas ao colonialismo e, ao mesmo tempo, buscam reaver seu Tekoha ao instaurar políticas cosmológicas, por meio da prática de reza e do nandereko (modo de ser das divindades).

Biografia do Autor

Gabriela Barbosa Lima e Santos Zotti, Universidade Federal de São Carlos

Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - Cidade Universitária;

Mestre em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Grande Dourados;

Doutoranda em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social pela Universidade Federal de São Carlos.

Graziele Acçolini, Universidade Federal da Grande Dourados
Possui graduação em Ciências Sociais pela FCL, Unesp, Araraquara (1993), mestrado em Ciências Sociais, com área de concentração em Antropologia pela Pontifícia Universidade Católica, PUC, SP (1996), e doutorado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia, FCL/Unesp, Araraquara (2004). Atualmente, é professora adjunta da FCH/Ciências Sociais da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados). 

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Publicado
2019-04-15
Seção
Dossiê 1: História Indígena, Etno-história e Indígenas Historiadoras/es: experiências descolonizantes, novas abordagens