“No tempo do SPI”: proteção e indianidade entre os povos indígenas de Oiapoque

Palavras-chave: Povos indígenas, Oiapoque, SPI, Proteção tutelar, Indianidade.

Resumo

A controversa e contraditória “proteção tutelar” do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) marca a história e a trajetória de muitos povos indígenas no Brasil. Na região de Oiapoque, caracterizada pela condição de fronteira, os povos indígenas foram atendidos pela agência indigenista que instalou a partir da década de 1940 dois postos indígenas – Posto Indígena Luiz Horta e Posto Indígena Uaçá –, contudo, o sentimento de indianidade sobreviveu às práticas indigenistas e nos tempos hodiernos emerge como potencialidade histórica. A perspectiva da história crítica e “vista de dentro” possibilita que novas abordagens contribuam para que a narrativa indígena se consolide como um campo disciplinar sensível, revelador e significativo para a discussão historiográfica. Assim, este artigo se propõe a problematizar a compreensão da história indígena regional, em um contexto situado da Amazônia setentrional, ao mesmo tempo em que aborda as instâncias da “proteção” da agência indigenista e da “indianidade” entre os povos indígenas de Oiapoque.

 

Biografia do Autor

Carina Santos de Almeida, Curso de Licenciatura Intercultural Indígena, Universidade Federal do Amapá - UNIFAP.
Professora de História no Curso de Lcienciatura Intercultural indígena, da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP, Campus Binacional de Oiapoque.
Leônia Ramos Oliveira, Graduanda no Curso de Licenciatura Intercultural Indígena, Universidade Federal do Amapá - UNIFAP.
Discente na área de Ciências Humanas no Curso de Licenciatura Intercultural Indígena, Universidade Federal do Amapá - UNIFAP.
Lilia Ramos Oliveira, Graduanda no Curso de Licenciatura Intercultural Indígena, Universidade Federal do Amapá - UNIFAP.
Discente na área de Ciências Humanas no Curso de Licenciatura Intercultural Indígena, Universidade Federal do Amapá - UNIFAP.

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Publicado
2019-04-15
Seção
Dossiê 1: História Indígena, Etno-história e Indígenas Historiadoras/es: experiências descolonizantes, novas abordagens