Diagnóstico sociolinguístico nas escolas municipais após a sanção à Lei 211/2014, que cooficializou as línguas indígenas na sede do Município de Bonfim, Roraima

Palavras-chave: Políticas Linguísticas, Línguas Indígenas, Macuxi, Wapichana

Resumo

Esse artigo divulga os resultados do diagnóstico sociolinguístico realizado nas escolas municipais da sede do município Bonfim assim identificando quais línguas são faladas no município e a quantidade de falantes. O estudo observou o processo sanção e de implementação da Lei 211/2014 que cooficializou as línguas Macuxi e Wapichana no município Bonfim. Avaliamos se os alunos das escolas municipais na sede de Bonfim estão assumindo suas identidades indígenas e reconhecendo o valor de suas línguas. A pesquisa também realizou um breve levantamento bibliográfico de leis e estratégias de valorização cultural e linguística trabalhadas a nível mundial, sobretudo as desenvolvidas com populações indígenas e que tenham conseguido contribuir para o multilinguismo. 

Biografia do Autor

Ananda Machado, Programa de Pós Graduação em Letras- Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena- Universidade Federal de Roraima
Professora no Programa de Pós Graduação em Letras e no curso Gestão Territorial Indígena, no Instituto Insikiran, UFRR. Realizando pós doutorado no Programa de Pós Graduação em Literatura da UFF, coordenadora do Programa de Valorização das Línguas e Culturas Macuxi e Wapichana- PRAE- Universidade Federal de Roraima.
Jama Peres Pereira, Programa de Valorização das Línguas e Culturas Macuxi e Wapichana (Pró Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis- UFRR).
Graduada em Gestão Teritorial Indígena, com ênfase em Patrimônio Indígena (2018). Foi bolsista de iniciação científica (2017 e 2018). Colaboradora como monitora e professora de Língua e Cultura Macuxi e Wapichana no Programa de Valorização das Línguas e Culturas Macuxi e Wapichana (Pró Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis- UFRR).

Referências

BHABHA, Homi. O local da cultura. Tradução Myriam Ávila, Eliana Lourenço de Lima Reis e Gláucia Renata Gonçalves. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

BONFIM (Município). Lei 211, de 4 de dezembro de 2014. Pesquisa realizada in loco.

BRASIL. Lei n. 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 25 nov. 2019.

CADETE, Casimiro Manoel. Dicionário Wapichana/Português – Português/Wapichana. São Paulo: Edições Loyola, 1990.

CALVET, Louis Jean. As políticas linguísticas. São Paulo: Parábola: IPOL, 2007.

CALVET, Louis Jean. La guerre des langues et les politiques linguistiques. Paris: Hachette Littératures (Pluriel), 1999.

CARNEIRO, João Paulo Jeannine Andrade. A morada dos Wapixana: Atlas Toponímico da Região Indígena Serra da Lua - RR. 2007. Dissertação (Mestrado em Semiótica e Linguística Geral) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

FARACO, Carlos Alberto. Questões de política de língua no Brasil: problemas e implicações. Educar em Revista, Curitiba, n. 20, p. 13-22, 2002.

FRANCHETTO, Bruna. Línguas em perigo e línguas como patrimônio imaterial: duas ideias em discussão. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro, n. 32, p. 182-205, 2005.

HAMEL, Rainer Enrique. La política del lenguaje y el conflicto interétnico: problemas de investigación sociolingüística. In: ORLANDI, Eni P. (Org.). Política lingüística na América Latina. Campinas, SP: Pontes, 1988. p. 41-73.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Os indígenas no Censo Demográfico 2010: primeiras considerações com base no quesito cor ou raça. Rio de Janeiro: IBGE, 2010.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN). Guia de Pesquisa e Documentação para o INDL: Volume 1 Patrimônio Cultural e Diversidade Linguística. Brasília: IPHAN, 2016a.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN). Guia de Pesquisa e Documentação para o INDL: Volume 2 Formulário e Roteiro de Pesquisa. Brasília: IPHAN, 2016b.

MACHADO, Ananda. Kuadpayzu, Tyzytaba’u na’ik Marynau: aspectos de uma história social da língua Wapichana em Roraima (1932-1995). 2016. Tese (Doutorado em História Social) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016.

MAHER, Terezinha de Jesus Machado. Políticas linguísticas e políticas de identidade: Currículo e Representações de professores indígenas na Amazônia Ocidental Brasileira. Currículo sem Fronteiras, v. 10, n. 1, p. 33-48, jan./jun. 2010.

MORELLO, Rosângela (Org.). Leis e Línguas no Brasil. O processo da cooficialização e suas potencialidades. Florianópolis: IPOL, 2015.

OLIVEIRA, Gilvan Müller de. Políticas linguísticas: uma entrevista com Gilvan Müller de Oliveira. ReVEL, v. 14, n. 26, p. 382-99, mar. 2016.

OLIVEIRA, Alessandro Roberto. Tempos dos netos: abundância e escassez nas redes de discursos ecológicos entre os Wapichana na Fronteira Brasil-Guiana. 2012. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Universidade de Brasília, Brasília, 2012.

PEREIRA, Mariana Cunha. A escola da fronteira: diversidade e cultura na fronteira Brasil– Guiana. Inter-Ação: Revista da Faculdade de Educação, Goiânia, v. 32, n. 2, p. 345-61, jul./dez. 2007.

RODRIGUES, Aryon Dall’Igna. Línguas indígenas: 500 anos de descobertas e perdas. Delta, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 83-103, 1993.

SANTOS, Alessandra de Souza. Multilinguismo em Bonfim/RR: o ensino de Língua Portuguesa no contexto da diversidade linguística. 2012. Tese (Doutorado em Linguística) - Universidade de Brasília, Brasília, 2012.

TOLLEFSON, James W. Planning language, planning inequality. Londres: Longman, 1991.

VEIGA, JURACILDA (Org.). Questões de Educação Escolar Indígena: da formação do professor ao projeto da escola. Brasília: FUNAI DEDOC, 2001.

Publicado
2019-11-27