A educação indígena Pataxó: entre distopias e utopias

Palavras-chave: educação indígena, povo Pataxó, indígenas da Bahia

Resumo

Este artigo reflete sobre as concepções de educação escolar indígena que vêm sendo construídas por educadores Pataxós da Reserva da Jaqueira − Coroa Vermelha, pertencente ao município de Santa Cruz Cabrália (Bahia), explorando seus vínculos com os contextos sociais e políticos dessa etnia, desde a desterritorialização do passado à (re)territorialização do presente, em consonância com as novas empreitadas nas quais se encontram a instalação e implementação da escola indígena e demais ações culturais. A reflexão, empreendida em perspectiva histórica, focaliza três momentos na configuração destas relações: o primeiro compreende o período marcado pelas políticas de integração e de assimilação das comunidades indígenas à cultura dominante; o segundo abarca a construção das políticas públicas para as escolas indígenas; e o terceiro se vincula à construção do projeto educacional pelas comunidades Pataxós da Bahia. A análise etnográfica permite ver a constituição de uma educação específica, diferenciada, multicultural e bilíngue, fruto de reivindicações e da conscientização desse povo, que tem entendido a educação escolar como instrumento de luta e de exercício de alteridade.

Biografia do Autor

Helânia Thomazine Porto, Professora e pesquisadora da Universidade do Estado da Bahia - UNEB, no Departamento de Educação - Campus X.

Doutora em Ciência da Comunicação: Processos Midiáticos, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Membro do Grupo de Estudos Interdisciplinares em Cultura, Educação e Linguagens − GEICEL (CNPq/CAPES/UNEB), do Grupo de Pesquisa Processos Comunicacionais: Epistemologia, Midiatização, Mediações e Recepção − PROCESSOCOM (CNPq/ CAPES/UNISINOS) e da Rede AMLAT (América Latina: Comunicação, Cidadania, Educação e Integração Latino-Americana). Professora e pesquisadora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), no Departamento de Educação.

Jiani Adriana Bonin, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)

Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Coordenadora do Grupo de Pesquisa Processos Comunicacionais: Epistemologia, Midiatização, Mediações e Recepção − PROCESSOCOM (CNPq/CAPES/UNISINOS) e membro da Rede AMLAT (América Latina: Comunicação, Cidadania, Educação e Integração Latino-Americana).

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Publicado
2020-03-09