Resistências epistemológicas: entrevista com Dominique Tilkin Gallois

Resumo

Tivemos o privilégio de trabalhar em alguns momentos de nossas vidas com Dominique Tilkin Gallois, professora colaboradora sênior da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Centro de Estudos Ameríndios (CEstA). Nessas experiências de orientação à pesquisa e trabalho, ela nos beneficiou com sua generosidade e profundo conhecimento acerca dos modos indígenas de conhecer e metodologias de formação de pesquisadores indígenas, o que nos inspirou a realizar essa entrevista. Feita de maneira remota na manhã do dia 23 de junho de 2020[1], a entrevista nos traz um pouco de sua história e de como se tornou pesquisadora em Etnologia e História indígena, abordando temas de grande relevância para as pesquisas realizadas com indígenas e por indígenas e contribuições importantes no campo teórico-metodológico e bem como nos processos políticos inevitavelmente envolvidos na pesquisa.

Como sua destacada atuação como antropóloga não se restringe aos temas acima, a conversa acabou sendo tangenciada por outros assuntos centrais em sua trajetória, como tradições orais e cosmologias ameríndias, políticas indígenas, patrimônio cultural e conhecimentos tradicionais. O modo sempre inovador como Dominique articula investimento acadêmico e ação indigenista também ganha destaque através dos relatos de sua experiência na assessoria direta a comunidades indígenas no Amapá, norte do Pará e outros estados. Essas reflexões compartilhadas nos permitiram uma aproximação com um certo fazer antropológico, que convidamos os leitores da revista a conhecer. Eis a “antropologia comprometida” de Dominique Tilkin Gallois.

Biografia do Autor

Tatiane Maíra Klein, Universidade de São Paulo (USP)

Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Antropologia Social pela USP. Graduada em Comunicação Social pela USP

Levi Marques Pereira, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

Doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Graduado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Docente na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

 

Referências

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Publicado
2021-08-16
Seção
Entrevista