Mulheres Kaingang e seu saber-fazer artesanal: a interrelação entre cosmologia e conhecimento

Palavras-chave: mulheres Kaingang, artesanato, cosmologia, conhecimento

Resumo

Este artigo analisa os processos de criação do artesanato de mulheres Kaingang da Terra Indígena de Mangueirinha/Paraná. Pelo artesanato são expressas as cosmologias, as resistências e a transmissão de conhecimentos para as gerações mais jovens. A pesquisa foi realizada através do método etnográfico, com observação participante, entrevistas abertas e registros sistemáticos em diário de campo. As narrativas das mulheres Kaingang sobre seus artesanatos denunciam o desmatamento que faz com que fiquem escassos os materiais para a sua elaboração, além do acesso aos seus alimentos e aos remédios tradicionais. Elas relatam a diminuição do número de artesãos Kaingang em razão da captura que ocorre para o trabalho industrial, principalmente em frigoríficos. Além disso, elas reivindicam o acesso a espaços para a venda de seus artesanatos em municípios da região e denunciam as violências que os coletivos indígenas enfrentam em termos de genocídio e epistemicído.    

Biografia do Autor

Eliana Piaia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

Mestranda em Desenvolvimento Regional pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Especialista em Psicopedagogia Institucional, Especialista em Direito e Políticas Públicas e Graduada em Serviço Social pela Fundação de Ensino Superior de Mangueirinha (FESMAN). Realiza Perícia Socioeconômica para Justiça Federal.

Joseane Carine Wedig, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

Doutora em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Realizou doutorado-sanduíche na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), Paris. Mestra em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pelotas. Professora de Sociologia do Departamento de Ciências Humanas e do Mestrado em Desenvolvimento Regional (PPGDR) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Líder do Grupo de Pesquisa: Gênero, Juventude e Cartografias da Diferença (PPGDR / UTFPR).

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Publicado
2021-12-22