O impacto da pandemia na educação escolar indígena da Aldeia Limão Verde no município de Aquidauana, MS

Palavras-chave: pandemia, educação escolar indígena, ensino, tecnologias

Resumo

Este artigo tem como objetivo levantar as dificuldades vivenciadas na educação escolar indígena no contexto das mudanças das aula presenciais para aulas remotas e  verificar como as Tecnologias da Informação e a Comunicação estão  sendo utilizadas por professores e alunos em tempos de pandemia. Para compreender a situação estudada, buscamos apoio nos seguintes campos teóricos: Estudos Culturais, Pós-Coloniais e no Grupo modernidade/Colonialidade e na Educação Problematizadora de Paulo Freire. Optamos por realizar uma pesquisa qualitativa. Como ferramenta utilizamos a entrevista estruturada. Dessa forma, entrevistamos o coordenador, os professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e pais de alunos, da Escola Municipal Indígena Polo Lutuma Dias, a fim de compreender o impacto da Pandemia na educação das crianças. Diante do cenário exposto, nesse artigo, podemos considerar que os problemas educacionais não é responsabilidade da crise gerada pela covid-19. Os problemas da educação são gerados por políticas que reduzem o financiamento e investimento. Entretanto a pandemia visibilizou, escancarou as deficiências que as escolas possuem e isso deve ser visto como uma forma de somar esforços para mudança de realidade.

Biografia do Autor

Cibele Francelino Fialho , Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

Indígena Terena. Acadêmica do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, em Aquidauana, MS.

Aparecida de Sousa dos Santos, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

Mestre em Educação pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Especializada em Psicopedagogia Clínica e Institucional pelo Centro Universitário Internacional (UNITER), em Relações Étnico-Raciais, Gênero e Diferenças no Contexto do Ensino da História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), e em Educação Especial e Inclusiva com Ênfase em Deficiências pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI). Graduada em Pedagogia pela Associação Novaandradinensse de Educação e Cultura (ANAEC). Professora voluntária na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), em Aquidauana, MS.

Elisangela Castedo Maria Do Nascimento, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

Doutora em Educação pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Mestre em Ensino de Ciências com área de concentração em Educação Ambiental (na área Indígena) pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Responsável pelo educativo do Arquivo Público Estadual – Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), Campo Grande, MS.

Referências

AGUIAR, M. A. S. Impactos da Pandemia da Covid-19 na Educação brasileira e seus reflexos nas políticas e orientações curriculares. Revista de Estudos Curriculares, Cidade de Braga, v. 11, n. 1, p. 24-45, 2020. [Associação Portuguesa de Estudos Curriculares (APECB)].

BACKES, J. L.; PAVAN, R. A desconstrução das narrativas curriculares excludentes: um desafio para a formação de professores. In: M. V. Rodríguez; M. L. P. Almeida (Org.). Políticas educacionais e formação de professores em tempos de globalização. Brasília: Líber, 2008.

BACKES, J. L.; PAVAN, R. A construção de pedagogias decoloniais nos currículos das escolas indígenas. EccoS, São Paulo, n. 45, p. 41-58, jan./abr. 2018.

BHABHA, H. K. O local da cultura. Tradução de Myriam Ávila, Eliana Lourenço de Lima Reis e Gláucia Renate Gonçalves. 2. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2003.

BRASIL. Lei n. 12.965, de 23 de abril de 2014. Estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil. Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos. Brasília, DF, 2014.

CAMARGO, D. M. P.; ALBUQUERQUE, J. G. Projeto pedagógico xavante: tensões e rupturas na intensidade da construção curricular. Cadernos Cedes, Campinas, v. 23, n. 61, p. 338-66, dez. 2003.

SCHUELER, Paulo. O que é uma pandemia. Fiocruz, Notícias e Artigos, Rio de Janeiro, jul. 2020. Disponível em:

https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/noticias/1763-o-que-e-uma-pandemia. Acesso em: 15 out. 2020.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

FREIRE, P. Extensão ou comunicação? Tradução de Rosisca D. de Oliveira. 10. ed. Rio de Janeiro, RJ: Paz e Terra, 1983.

FREIRE, P. Conscientização: teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. Tradução de Kátia de Mello e Silva, revisão técnica de Benedito Eliseu Leite Cintra. São Paulo: Cortez & Moraes, 1979.

FRIEDMAN, Susan Stanford. O “Falar da fronteira”, hibridismo e a performatividade: teoria da cultura e identidade nos espaços intersticiais da diferença. Revista Crítica de Ciências Sociais, [s.l.], n. 61, 2001.

FUNASA, Fundação Nacional de Saúde. Relatório de Gestão 2011. Disponível em:< www.funasa.gov.br>. Acessado em: 06 jun. 2021.

GODOY, A. S. Pesquisa qualitativa: tipos fundamentais. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 35, n. 3, p. 20-9, maio/jun. 1995.

GONZAGA, A. M. A pesquisa em educação: um desenho metodológico centrado na abordagem qualitativa. In: PIMENTA, S. G.; GHEDIN, E.; FRANCO, M. A. S. (Org.). Pesquisa em educação: alternativas investigativas com objetos complexos. São Paulo: Edições Loyola, 2011.

HALL, S. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG; Brasília, DF: Representação da Unesco no Brasil, 2003.

LACLAU, E. Emancipação e diferença. Rio de Janeiro: Eduerj, 2011.

LIBÂNEO, J. C. Didática. 21. reimp. São Paulo: Cortez, 1994.

LUDKE, M.; ANDRÉ, E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.

MARI, A. Negros e pobres sofrem com exclusão digital durante a pandemia. Forbes, Brasil, Forbes Tech, São Paulo, 27 maio 2020. Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-tech/2020/05/negros-e-pobres-sofrem-com-exclusao-digital-durante-a-pandemia/ . Acesso em: 3 ago. 2021.

MEYER, D. E.; PARAÍSO, M. A. (Org.). Metodologias de pesquisa pós-crítica em educação. 2. ed. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2012.

OLIVEIRA, F. L. Educação transformada em EAD durante a pandemia: quem é que está por trás dessa ação? In: AUGUSTO, C. B.; SANTOS, R. D. Pandemias e pandemônio no Brasil. São Paulo: Tirant lo Blanch, 2020. p. 247-60.

QUIJANO, A. Colonialidad del poder y clasificacion social. Journal of World-Systems Research, [s.l.], v. 11, n. 2, p. 342-86, verão/outono 2000.

SENHORAS, E. M. Coronavirus e educação: análise dos impactos assimétricos. Boletim de Conjuntura. Revista Boca, Boa Vista, ano II, v. 2, n. 5, p. 128-36, 2020.

THOMPSON, P. A voz do passado: história oral. Tradução de Lólio Lourenço de Oliveira. São Paulo: Paz e Terra, 1992.

WALSH, C. Interculturalidade crítica e pedagogia decolonial: in-surgir, re-existir e re-viver. In: CANDAU, V. M. (Org.). Educação intercultural na América Latina: entre concepções, tensões e propostas. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2009. p. 12-43.

ZUBILLAGA, A.; GORTAZAR, L. Covid-19 y Educación: problemas, respuestas y escenarios. Documento técnico de análisis de la situación educativa derivada de la emergencia sanitaria. Madrid: Cotec, 2020.

Publicado
2022-03-16