Resumen
Neste trabalho é abordada a discussão sobre a importância da biodiversidade para a bioculturalidade Tembé da Terra Indígena Alto Rio Guamá (TIARG). Desde o deslocamento dos Tembé-Tenetehar para a TIARG, eles deixaram de realizar suas práticas ancestrais e de falar sua própria língua, o que perdurou cerca de 60 anos. Durante esse tempo, o território foi invadido por fazendeiros, colonos e madeireiros, e as florestas foram substituídas por pastagens, monocultivos e atividades agropecuárias, às custas da destruição de animais e plantas ligadas à bioculturalidade Tembé. O objetivo deste estudo é analisar os impactos das alterações da biodiversidade da TIARG sobre as práticas bioculturais Tembé-Tenetehar. A pesquisa tem uma abordagem qualitativa-descritiva e fundamenta-se na pesquisa bibliográfica, documental e de campo. Dentre os fatores que levaram ao silenciamento cultural dos Tembé-Tenetehar por anos, destacamos neste artigo a percepção da destruição das florestas e, portanto, de plantas e animais fundamentais à realização de suas práticas bioculturais. A redução da biodiversidade tem ocasionado modificações na realização dos rituais, o que tem sido evidenciado através da substituição temporária ou definitiva de elementos bioculturais necessários à realização desses rituais. Este trabalho convida a refletir sobre a importância de estimular os indígenas ao resgate de suas práticas esquecidas, com o apoio de políticas públicas que garantam o direito constitucional à conservação da biodiversidade na TIARG, à manutenção da floresta em pé e, consequentemente, à perpetuação das práticas bioculturais ancestrais do povo Tembé.
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