Universidade Indígena no Brasil: valorização cultural e saberes ancestrais em perspectiva comparada

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20435/tellus.v25iesp.1103

Palavras-chave:

universidade indígena, interculturalidade, saberes ancestrais, justiça epistêmica, decolonialidade

Resumo

O presente trabalho discute a relevância da criação de uma Universidade Intercultural Indígena no Brasil. Para tanto, realizou-se uma comparação entre as experiências dos estudantes indígenas da Universidade Federal de Goiás (UFG) com os da Universidad Autónoma Indígena Intercultural (UAIIN) na Colômbia. Na UFG, os pesquisadores indígenas enfrentam desafios relacionados à adequação de seus estudos a modelos acadêmicos eurocentrados. Já na UAIIN, as práticas de ensino-aprendizagem têm como propósito fortalecer suas línguas, culturas e seus saberes ancestrais. Essa análise evidencia a necessidade de um espaço acadêmico que respeite as especificidades culturais dos povos indígenas, promovendo justiça epistêmica e um ambiente intercultural. A criação de uma Universidade Intercultural Indígena no Brasil representa um avanço significativo na valorização dos saberes ancestrais e na consolidação do protagonismo indígena no cenário acadêmico nacional e internacional.

Biografia do Autor

Bruno Rafhael Cesario Calassa, Universidade Federal de Goiás (UFG)

Doutorando no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos da Universidade Federal de Goiás (UFG). Especialista em Direito Público pela Faculdade Fortium, em Direito Tributário pela UFG, em Perícias em áudio, imagens e documentos digitais e em Perícia judicial e documentoscopia avançada, ambas pela Faculdades de Tecnologia Avançada (FTA). Bacharel em Direito pela UFG e graduado em Investigação Forense e Perícia Criminal pela Universidade Estácio de Sá (UNESA). Bolsista CAPES. 

Pedro Henrique da Silva, Universidade Federal de Goiás (UFG)

Pós-doutorando na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás (UFG), no âmbito dos estudos literários. Doutor e Mestre em Letras e Linguística pela UFG, com área de concentração em Estudos Linguísticos. Graduado em Letras, Português, pela UFG.
Foi bolsista de Iniciação Científica (PIVIC/UFG), desenvolvendo pesquisa sobre o processo de gramaticalização e a funcionalidade discursiva da expressão só que na fala goiana, trabalho premiado no XII Prêmio UFG de Iniciação Científica, promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação da UFG. Atua principalmente nos campos da leitura e produção textual, historiografia linguística, semiótica francesa, fenomenologia e estudos literários. Desenvolve pesquisa voltada à presença da cosmologia e da cosmogonia africana em obras específicas da literatura brasileira, com enfoque em perspectivas críticas decoloniais e nos diálogos entre literatura, cultura e religiosidades de matriz africana. Tem interesse em pesquisas que articulam linguagem, literatura, cultura e epistemologias não hegemônicas, especialmente aquelas relacionadas às tradições afro-diaspóricas e aos processos de descolonização do saber.

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Publicado

2026-02-19

Como Citar

Calassa, B. R. C., & Silva, P. H. da. (2026). Universidade Indígena no Brasil: valorização cultural e saberes ancestrais em perspectiva comparada. Tellus, 25(esp). https://doi.org/10.20435/tellus.v25iesp.1103

Edição

Seção

Dossiê: Universidades Interculturais Indígenas no Mundo