Chefes ricos e comunidade pobre: a quantificação do valor entre os índios Xikrin (Mebengôkre)

  • Cesar Gordon

Resumo

O artigo pretende descrever as formas pelas quais os índiosXikrin (Mebêngôkre) do Estado do Pará, na Amazônia Brasileira, vêmtentando constituir e expressar determinadas diferenças internas devalor por meio da incorporação de mercadorias, bens industrializadose dinheiro. Na atual situação histórica, o mecanismo indígenade produção de diferenças basicamente qualitativas começa a sefazer acompanhar – e ser substituído, em certa medida – por umaquantifi cação das diferenças em termos do maior ou menor acessoa recursos monetários. O artigo analisa o regime de distribuição dedinheiro e mercadorias no interior da comunidade indígena, procurandoexplicar o caráter ‘infl acionário’, característico da economiapolítica e do consumo xikrin pós-contato. Em particular, focaliza-sea implementação de um sistema de salários, que recorta dois planosde diferenças: em primeiro lugar uma distinção entre um conjunto de“chefes” e “lideranças” assalariados contra o restante da comunidadenão remunerada; e, além disso, uma distinção no próprio conjuntodos indivíduos que recebem vencimentos, que se expressa em termosde níveis salariais. Finalmente, analisam-se os efeitos sistêmicos daquantifi cação do valor na vida social Xikrin.Palavras-chave: índios Xikrin-Mebengôkre; economia; ritual; mercadoria;mudança cultural.

Biografia do Autor

Cesar Gordon
Departamento de AntropologiaCultural/Programa dePós-Graduação em Sociologiae Antropologia, Institutode Filosofia e Ciências Sociais,Universidade Federal do Riode Janeiro.
Publicado
2015-04-24