A situação das línguas indígenas no município de Manaus

  • Ademar dos Santos Lima Universidade do Estado do Amazonas (UEA)
  • Silvana Andrade Martins Universidade do Estado do Amazonas (UEA)
Palavras-chave: Manaus, comunidades indígenas citadinas, línguas indígenas, situação das línguas étnicas.

Resumo

Este estudo tem por objetivo abordar a situação das línguas indígenas no contexto de Manaus, metrópole amazonense que se caracteriza como um município multilíngue, considerando que uma parte de sua população é constituída por indígenas citadinos. São apresentados dados sobre as comunidades indígenas urbanas que vivem em Manaus e a situação de suas línguas étnicas, quanto à presença de falantes, usos e ensino às novas gerações. A abordagem metodológica é de cunho qualiquantitativa, e os procedimentos técnicos aplicados para o desenvolvimento deste estudo foram de pesquisa com surveys e de pesquisa de campo. Como instrumento de pesquisa, aplicou-se um questionário com perguntas fechadas. Por meio da análise, constatou-se que o município de Manaus possui 28 comunidades linguísticas, sendo que 25 são indígenas, em que se tem o português como primeira língua e a(s) língua(s) étnicas como segunda. As outras três são duas japonesas e uma americana, em que o japonês e o inglês são as primeiras línguas, e o português, a segunda. As línguas étnicas faladas nessas comunidades indígenas bilíngues correm o risco de desaparecer em poucas décadas, devido às fortes pressões de influências externas e o não uso das línguas étnicas pelos seus falantes nos espaços culturais da comunidade, que são escolas da Secretaria Municipal de Educação – SEMED, para o ensino das línguas e culturas das etnias para as novas gerações. 

Biografia do Autor

Ademar dos Santos Lima, Universidade do Estado do Amazonas (UEA)
Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Letras e Artes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Bolsista POSGRAD-FAPEAM/QUALIFICA-SEMED. Graduado em Letras Línguas Portuguesa e Inglesa pela Universidade Federa do Amazonas (UFAM), Manaus, AM, Brasil. 
Silvana Andrade Martins, Universidade do Estado do Amazonas (UEA)
Doutora e Pós-doutora em Letras e Linguística pela Vrije Universiteit, Amsterdam, Holanda e mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Letras e Artes do Curso de Mestrado da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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Publicado
2018-04-10