Perspectivas históricas sob a perspectiva dos Apinaje

Palavras-chave: Índios Apinaje, História Indígena, historicidade.

Resumo

Partindo da afirmação de Roberto DaMatta, em seu livro Relativizando ([1987] 1993, p. 121), de que os Apinaje “têm uma noção de tempo e de duração de tempo, mas não tem uma perspectiva histórica”, apresentamos as categorizações existentes no pensamento daquele povo para se referir a eventos no passado. Discutimos também sobre o regime de historicidade próprio dos Apinaje e argumentamos que é preciso questionar a própria categoria de História, tal como compreendida no Ocidente, para compreendermos as formas daquele povo se relacionar com o seu passado.

Biografia do Autor

Odair Giraldin, Universidade Federal do Tocantins

Graduado em História pela Unicamp (1990), mestre em Antropologia Social pela Unicamp (1994), doutor em Ciências Sociais pela Unicamp (2000) e pos-doutorado em Antropologia pela UnB (2013). Atualmente é professor associado III da Fundação Universidade Federal do Tocantins (UFT). Leciona Antropologia no curso de História do campus de Porto Nacional e no mestrado em Ciências do Ambiente, no campus de Palmas. É coordenador do Núcleo de Estudos e Assuntos Indígenas (NEAI), onde coordena também a ação Saberes Indígenas na Escola (MEC/SECADI). Email: giraldin@uft.edu.br

Cassiano Sotero Apinagé, Escola Indígena Mãtỳk - SEDUC/TO
Possui graduação em Pedagogia pela Fundação Universidade Federal do Tocantins – UFT (2012) e mestrado em Ciências do Ambiente pela UFT (2017). É Coordenador Pedagógico da Escola Estadual Mãtyk desde 2013. Professor Indígena do ensino fundamental e médio desde 1997. Atua como professor formador na ação Saberes Indígenas na Escola (MEC/SECADI). Email: cassianoapinage@gmail.com

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Publicado
2019-04-15
Seção
Dossiê 1: História Indígena, Etno-história e Indígenas Historiadoras/es: experiências descolonizantes, novas abordagens