As representações sociais dos indígenas no jornal O Progresso, no estado brasileiro de Mato Grosso do Sul

Palavras-chave: indígenas, representações sociais, jornal, estado de exceção.

Resumo

O presente artigo visa refletir sobre o modo como os indígenas são descritos e narrados pela imprensa na cidade de Dourados, Mato Grosso do Sul, MS. Em específico no jornal O Progresso, que tem relevante circulação e divulgação na região. O estado de exceção retrata os discursos que matam ligado ao sentido de extermínio, formulado por Agamben no termo “estado de exceção”. Como podemos entender a categorização do indígena para e na sociedade a partir da mídia? É com esta indagação que os artigos jornalísticos publicados nos cadernos policiais das edições foram analisados. Partindo da produção dos discursos expressos pelo jornal em questão, a partir do conceito de representações sociais, buscamos evidenciar as teias de significados presentes na narrativa jornalística e que têm servido para construir e naturalizar violências e subalternidades em relação às populações indígenas do estado. Assim, a partir de pesquisa documental, em diálogo com o campo das Ciências Sociais, em especial com a Sociologia, buscou-se compreender os papéis que esses discursos noticiosos apresentam, constroem e reiteram.

Biografia do Autor

Henrique Duarte, Secretaria de Estado de Educação (SEDUC-MT)

Mestre em Sociologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Especialista em Antropologia e História dos Povos Indígenas pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Licenciado em Ciências Sociais pela UFGD. Bacharel em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Leciona Sociologia como professor efetivo na Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT). Redator das Diretrizes Referenciais Curriculares da Base Nacional Comum Curricular no Ensino Médio do Estado de Mato Grosso (DRCEM/MT − BNCC) na área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CHSA).

Esmael Alves de Oliveira, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

Pós-doutorado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), junto ao Núcleo de Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde (Nupacs). Doutorado em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com estágio doutoral na Universidade Eduardo Mondlane (UEM, Moçambique). Mestrado em Antropologia Social, especialização em Antropologia e graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Professor adjunto, em regime de dedicação exclusiva, do curso de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGAnt) da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Federal da Grande Dourados (FCH/UFGD) e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (PPGAS/UFMS). Pesquisador vinculado ao Impróprias − Grupo de Pesquisa em Gênero, Sexualidade e Diferenças.

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Publicado
2020-11-12