Cotidiano da educação escolar indígena: da resistência às possibilidades de diálogos interculturais

Palavras-chave: educação escolar indígena, professores indígenas, interculturalidade

Resumo

O texto buscou evidenciar o cotidiano da educação escolar indígena e discutir os limites e o empenho de seis professores indígenas em promover diálogos interculturais, em sua sala de aula, em duas escolas localizadas na Reserva Indígena Francisco Horta Barbosa em Dourados, no estado do Mato Grosso do Sul. Com base nos estudos pós-críticos, a partir da inspiração da etnografia educacional, os instrumentos utilizados foram a observação e a entrevista semiestruturada, além de cartazes, figuras e desenhos produzidos pelos alunos, os quais foram cedidos à nós pelos professores supracitados. A pesquisa evidenciou que mesmo com a invisibilidade por parte das gestões educacionais, os professores buscam possibilidades para que os seus alunos aprendam, resinifiquem sua cultura sem, contudo, ignorar a cultura ocidental que os cercam. 

 

Biografia do Autor

Ilma Saramago, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

Doutora e Mestre em Educação pela Universidade Federal da Grande Dourados. Graduada em Pedagogia e em Letras pela Universidade Federal de Rondônia. Membro do Grupo de Pesquisa em Educação Inclusiva (GEPEI/UFGD).

Marilda Moraes Garcia Bruno, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

Doutora em Ensino da Educação Brasileira pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Mestre em Educação pela Universidade Católica Dom Bosco. Pedagoga com Habilitação em Educação Especial (Ensino do deficiente Visual) pela Universidade de São Paulo. Graduada em Letras pela Universidade do Sagrado Coração. Professora Associada, aposentada na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação. Pesquisadora da Linha Educação e Diversidade.

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Publicado
2022-03-16