Ymyã-hu Nhandywa – o tempo do castanhal: temporalidades na vida Kagwahiva Tenharin

Palavras-chave: agência, castanha, Tenharin Kagwahiva, mercadoria

Resumo

Este ensaio tem duas finalidades. A primeira será pensar a circulação da castanha enquanto um processo que agrega uma malha de relações políticas e comerciais. A segunda finalidade é desvelar o modo como a castanha, como agente transumano, circula entre o mundo ritualístico da festa Mboatawa e o mundo da mercadoria fetichizada, controlado pelos donos dos castanhais. Nessa perspectiva, a castanha, símbolo agregador de alianças sociais dos Kagwahiva, torna-se uma agência, um não-humano, em diversos momentos: na limpeza do castanhal, na coleta, na venda, na predação da festa Mboatawa e no replantio de Nhahã (castanha) em novas áreas. Meu interesse não é fazer uma análise sobre o ritual da festa, mas, antes, evidenciar como Nhahã, como mercadoria, como agente agregador de relações e de recursos econômicos, movimenta e temporaliza a sociedade Kagwahiva.

Palavras-chave: castanha, agência, mercadoria, Kagwahiva Tenharin

Biografia do Autor

Jordeanes do Nascimento Araújo, Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

Doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Mestrado em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Bacharelado e Licenciatura em Ciências Sociais pela UFAM. Antropólogo. Pesquisador do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia. Professor Adjunto II da UFAM, Campus de Humaitá. Coordena o projeto Mapeamento de garimpos ilegais, desmatamentos, madeireiras ilegais em Terras Indígenas no Sul do Amazonas, financiamento: Climate Land Alliance (CLUA).

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Publicado
2021-12-22