História e produção da escrita entre os Xakriabá e os Pataxoop de Minas Gerais

Palavras-chave: educação indígena, escrita indígena, Xakriabá, Pataxó/Pataxoop

Resumo

Neste artigo, analisamos processos recentes de produção de materiais escritos entre os Xakriabá e os Pataxoop (MG), cujos produtos assumiram diferentes formatos, buscando trazer aspectos centrais que delineiam as características do conteúdo e da forma final do produto editorial. Ambos são povos indígenas que têm o português como língua materna. O caso dos Pataxoop ilustra uma reelaboração original da escrita em associação com outras formas expressivas, como o canto e o desenho. O caso dos Xakriabá revela o uso da escrita inserido em processo de elaboração sobre a história de luta, com um procedimento de autoria coletiva negociada no qual a memória ingressa num exercício cruzado de sentido acadêmico e político e com repercussões epistemológicas.

Biografia do Autor

Ana Maria R. Gomes, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Doutora em Educação pela Università di Bologna com pós-doutorado no PPGAS/Museu Nacional (UFRJ) e University of St. Andrews. Professora Titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

C´élia Nunes Corrêa, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Doutoranda em Antropologia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre em Desenvolvimento Sustentável junto a Povos e Terras (MESPT/UnB). Professora diplomada no curso de Formação Intercultural para Educadores Indígenas na UFMG.

Shirley Aparecida de Miranda, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Pós-doutorado no CES/Universidade de Coimbra. Doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professora Associada da Faculdade de Educação da UFMG. 

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Publicado
2021-04-26
Seção
Dossiê - Produção de material em línguas indígenas e saberes ancestrais