Etnomatemática e educação escolar indígena: ensino por meio de uma atividade piscatória

Palavras-chave: Práticas, Piscatória, Etnomatemática, Indígena.

Resumo

Este trabalho envolve a cultura da etnia Paiter Suruí e o ensino na escola indígena. Utilizamos como metodologia de pesquisa a observação participante, com características etnográficas, em uma prática piscatória tradicional, rodas de conversa e entrevistas com professores indígenas. O objetivo foi mostrar conexões de conteúdos curriculares da educação escolar indígena com essa prática cultural da etnia. Baseando-nos no Programa Etnomatemática, identificamos diferentes atividades que são realizadas para os conteúdos escolares, com os conhecimentos cotidianos, que empoderam o professor e seus alunos cultural, social, política e afetivamente. Constatamos, por meio de relatos de professores indígenas, que a prática cultural observada é utilizada no ensino das disciplinas Matemática, Língua Materna e Cultura Indígena.

Biografia do Autor

José Roberto Linhares de Mattos, Universidade Federal Fluminense (UFF)

Pós-doutor em Educação pela Universidade de Lisboa. Professor do Programa de Doutorado da Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática; do Programa de Pós-Graduação em Educação Agrícola da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; e da Universidade Federal Fluminense

 

Sandra Maria Nascimento de Mattos, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)/Universidade Católica Portuguesa. Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação Agrícola da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

 

Gamalonô Surui, Secretaria de Educação do Estado de Rondônia

Mestre em Educação pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Professor da Escola Indígena Estadual Izidoro de Souza Meireles.

Referências

AUSUBEL, D. P. Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano Edições Técnicas, 2000.

BENDER, W. N. Aprendizagem baseada em projetos: educação diferenciada para o século XXI. Porto Alegre: Penso, 2014.

BICHO, J. S. Etnomatemática e práticas pedagógicas: saberes matemáticos escolares e tradicionais na educação escolar indígena Karipuna. 2018. Tese (Doutorado em Educação em Ciências e Matemática) – Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, 2018.

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica. Brasília-DF: MEC, 2013. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/docman/julho-2013-pdf/13677-diretrizes-educacao-basica-2013-pdf/file. Acesso em: 7 jan. 2020.

BRASIL. Ministério da Educação. Manual de orientação para a alimentação escolar na educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e na educação de jovens e adultos. 2. ed. Brasília: Pnae, 2012.

BRASIL. Ministério da Educação. Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas. Brasília: MEC, 1998. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=26700. Acesso em: 7 jan. 2020.

BRASIL. Ministério da Educação. Lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da Educação Nacional. Brasília: MEC, 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em: 7 jan. 2020.

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes para a Política Nacional de Educação Escolar Indígena. Brasília: MEC, 1993. (Cadernos de Educação Básica, Série Institucional 2). Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me001778.pdf. Acesso em: 07 jan. 2020.

BRASIL. Ministério da Educação. Portaria Interministerial MJ/MEC n. 559, de 16 de abril de 1991. Dispõe sobre a Educação Escolar para as populações indígenas. Brasília: MEC, 1991. Disponível em: https://cimi.org.br/2004/06/21816/. Acesso em: 7 jan. 2020.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. Acesso em: 7 jan. 2020.

CUNHA, A. C.; CUNHA, J. S. M. A formação de professores indígenas “Povos do Pantanal” e “Teko Arandu”. In: MATTOS, S. M. N. (Org.). Currículo, formação e práticas docentes. Curitiba: CRV, 2018. p. 85-100.

D’AMBROSIO, U. Etnomatemática − elo entre as tradições e a modernidade. 4. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.

D’AMBROSIO, U. O Programa Etnomatemática: uma síntese. Acta Scientiae. v. 10, n. 1, p. 7-16, 2008. Disponível em: www.periodicos.ulbra.br/index.php/acta/article/download/74/66. Acesso em: 7 jan. 2020.

DOMITE, M. C. S. Perspectivas e desafios da formação do professor indígena: o formador externo à cultura no centro das atenções. In: FANTINATO, M. C. C. B. (Org.), Etnomatemática: novos desafios teóricos e pedagógicos. Niterói: Editora da Universidade Federal Fluminense, 2009. p. 181-92.

GALLOIS, D. T. (Org.). Patrimônio cultural imaterial e povos indígenas: exemplos no Amapá e norte do Pará. São Paulo: Iepé, 2006.

GRUPIONE, L. D. B. (Org.). Índios no Brasil. Brasília: MEC, 1994.

MATTOS, S. M. N. O sentido da matemática e a matemática do sentido: aproximações com o programa etnomatemática. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2020.

MATTOS, J. R. L.; FERREIRA NETO, A. Etnomatemática e educação escolar indígena Paiter Suruí. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2019.

MATTOS, J. R. L.; FERREIRA NETO, A. O povo Paiter Suruí e a etnomatemática. In: BANDEIRA, F. A.; GONÇALVES, P. G. F. (Org.). Etnomatemáticas pelo Brasil: aspectos teóricos, ticas de matema e práticas escolares. Curitiba: CRV, 2016. p. 79-100.

MATTOS, S. M. N.; MATTOS, J. R. L. Etnomatemática e prática docente indígena: a cultura como eixo integrador. Hipátia, São Paulo, v. 4, n. 1, p. 102-15, jun. 2019.

MATTOS, S. M. N.; MATTOS, J. R. L. Preservação ambiental e cultural na educação escolar indígena. In: MATTOS, J. R. L.; MATTOS, S. M. N. (Org.). Etnomatemática e Práticas Docentes Indígenas. Jundiaí: Paco Editorial, 2018. p. 185-214.

MATTOS, J. R. L. Matemática e cultura em ação na educação escolar indígena. In: MATTOS, J. R. L.; MATTOS, S. M. N. (Org.). Etnomatemática e Práticas Docentes Indígenas. Jundiaí: Paco Editorial, 2018. p. 185-214.

MINDLIN, B. Diários da floresta. 1. Ed. São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2006.

MINDLIN, B. Nós Paiter: os Suruí de Rondônia. Petrópolis: Editora Vozes, 1985.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas – Drips. Rio de Janeiro: Unesco, 2008.

SAMPAIO, J. A. L. O “resgaste cultural” como valor: reflexões antropológicas sobre a formação dos professores indígenas. In: GRUPIONE, L. D. B. (Org.). Formação de professores indígenas: repensando trajetórias. Brasília: MEC/Unesco, 2006. p. 165-74.

SCANDIUZZI, P. P. Educação indígena x educação escolar indígena: uma relação etnocida em uma pesquisa Etnomatemática. São Paulo: Editora Unesp, 2009.

VERGANI, T. Educação Etnomatemática: o que é? Natal: Flecha do Tempo, 2007.

YIN, R. K. Pesquisa estudo de caso – desenho e métodos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 1994.

Publicado
2020-11-12